Área de identificação
Tipo de entidade
Forma autorizada do nome
Forma(s) paralela(s) de nome
Formas normalizadas do nome de acordo com outras regras
Outra(s) forma(s) de nome
identificadores para entidades coletivas
Área de descrição
Datas de existência
Histórico
A Comarca de Araçuaí foi criada por meio da Lei nº 2.082, de 23 de dezembro 1874, porém, podemos inferir que as funções judiciais tiveram início em 1858, uma vez que o termo aparecia como constituinte da então Comarca do Jequitinhonha.
Locais
Estado Legal
Funções, ocupações e atividades
Mandatos/fontes de autoridade
Estruturas internas/genealogia
Contexto geral
O início da ocupação do Médio Jequitinhonha, atual cidade de Araçuaí, ocorreu nos primeiros anos do século XVIII. Tal fato deu-se em virtude do desenvolvimento da atividade mineradora no Alto Jequitinhonha, em que fazendas e pequenos povoados começaram a surgir próximos ao rio Jequitinhonha. A economia local era voltada para a pecuária e agricultura, em grande medida, a produção de gêneros alimentícios estava voltada para atender às demandas das regiões mineradoras vizinhas. No final do século XVIII para o início do XIX, com o declínio da mineração, ocorreu o fluxo migratório dos residentes para áreas adjacentes, próximas aos entrepostos comerciais.
Nesse contexto, aliados à localização entre os rios Jequitinhonha e Araçuaí, onde as atividades comerciais eram realizadas em grande parte por canoeiros, o Arraial de Calhau (atual Araçuaí) ganhou corpo. Como consequência, tornou-se ponto de parada para canoeiros e comerciantes, no contexto, a fazenda Boa Vista, propriedade de Luciana Teixeira, era um importante rancho para viajantes, tropeiros e canoeiros. A história oral, bem como, a interpretação errônea de Ferreira (1958) e Barbosa (1971) a respeito da passagem de Auguste Saint-Hilaire nessa localidade conferiram uma visão depreciativa sobre Teixeira, descrevendo-a como uma alcoviteira que abrigava prostitutas fugidas de outros vilarejos, motivo pelo qual teria dinheiro e fama. Entretanto, em nenhuma parte do relato de Saint-Hilaire menciona-se essa prática. Pelo contrário, o naturalista destacou a generosidade e influência na região, que ao seus olhos “essa boa mulher cumulou-me atenções”, em um segundo momento, notou “que um sacerdote ali chegara [...] na habitação de minha hospedeira, para assistir o serviço divino, essa boa gente jantou em casa dela: a mesma mesa foi posta e desfeita várias vezes, e os que, depois disso, acharam não ter comido bastante, jantaram, depois confusamente” (SAINT-HILAIRE, 1975, p. 238 apud ROCHA, 2021, p. 225). Dessa maneira, Luciana Teixeira estava mais para uma mulher de influências, cuja riqueza era oriunda da produção de gêneros alimentícios de sua fazenda.
É importante salientar que a região de Araçuaí foi habitada inicialmente por indígenas da etnia boruns, mas que gradualmente foram exterminados pelos colonizadores durante a exploração do território em busca de mão de obra escrava. Devido às atividades mineradora e comercial, concomitante com o aumento de fazendas, observou-se um maior influxo de colonos que passaram a habitar regiões próximas ao Vale do Jequitinhonha. O núcleo do Arraial de Calhau começou a se formar próximo a fazenda Boa Vista, que no contexto respondia à Comarca do Serro Frio.
Em 1832 foi criada a Comarca do Jequitinhonha, coincidentemente, mesmo ano da promulgação do Código de Processo Criminal, sendo assim, um reflexo das mudanças no judiciário brasileiro voltado para a descentralização das grandes comarcas. No primeiro dia do mês de junho de 1850, o curato de Calhau foi elevado à condição de paróquia, na mesma década, o arraial foi emancipado e elevado à categoria de vila com a denominação de Araçuaí (1857). Determinou-se que o município compreenderia as paróquias do Calhau, Itinga, Santo Domingos e Salto Grande. No mesmo ano ocorreu a criação da Comarca de Araçuaí, composta do termo de mesmo nome.
Em 1885 ocorreu a mudança de denominação do município para Cidade do Calhau, mas, em consonância com a Lei nº 3.485, de 4 de outubro de 1887, voltou a ser chamada de Araçuaí. Em 1915, o Termo de Jequitinhonha passou a integrar a Comarca de Araçuaí, em decorrência da supressão da Comarca do Jequitinhonha, que foi restaurada dez anos depois. A partir de 1948, a Comarca de Araçuaí era composta pelos municípios de Araçuaí, Caraí, Itinga, Novo Cruzeiro e Virgem da Lapa. Em 1953, Novo Cruzeiro deixou de compor a Comarca, em contrapartida, Coronel da Murta passou a integrá-la.
Em 1970 foram anexados ao escopo de atuação da Comarca de Araçuaí, os municípios de: Itaipé, Padre Paraíso, e novamente, Novo Cruzeiro. Cinco anos depois, Novo Cruzeiro, Caraí e Itaipé deixaram de integrar a Comarca. Em 1995, o município Ponto dos Volantes passou a compor a Comarca, sendo distrito-sede. A configuração atual da Comarca de Araçuaí abrange os municípios de Araçuaí, Coronel Murta, Itinga, Ponto dos Volantes, Virgem da Lapa e Padre Paraíso.
Para maiores informações, consultar referências bibliográficas.
Área de relacionamentos
Área de pontos de acesso
Pontos de acesso de assunto
Pontos de acesso local
Ocupações
Área de controle
Identificador de autoridade arquivística de documentos
Identificador da entidade custodiadora
Regras ou convenções utilizadas
Estado atual
Nível de detalhamento
Datas de criação, revisão e eliminação
Idioma(s)
Sistema(s) de escrita(s)
Fontes
FERREIRA, Jurandyr Pires. Araguari - Enciclopédia dos Municípios Brasileiros XXIV Volume. Rio de Janeiro. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 1958. p.93-97
MIRANDA, Leonardo. NOS CAMINHOS DO VALE: O (DES) ENVOLVIMENTO NO JEQUITINHONHA. Belo Horizonte. 2023. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/IGCC-9AHLXQ/1/disserta__oleonardocaetano_2013.pdf
ROCHA, Shirlene. A pouca visibilidade da mulher na toponímia de Araçuaí-MG. Palimpsesto, Rio de Janeiro, v.20, n.35, p.217-239, jan.-abr. 2021. Disponível em: ttps://www.e-publicações.uerj.br/palimpsesto/article/view/57187/37893
SANTOS, Barbara Souza. O contemplar de um Rio das Araras Grandes: Araçuaí e sua cultura. Revista do Instituto de Ciências Humanas -Nº 15, vol. 12, 2016. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/index.php/revistaich/article/view/9345/11818